No extremo oeste da Amazônia brasileira, onde o Brasil encontra o Peru e a Colômbia, existe uma região marcada por desafios profundos, geográficos, sociais e espirituais, mas também por uma sede intensa pela Palavra de Deus. É ali, no Alto Solimões, que a missão em Benjamin Constant, iniciada em 2019 tem se tornado instrumento de transformação, esperança e restauração de vidas.
A história começou ainda em 2019, com o Bispo Fabiano Gomes, a partir do contato com irmãos da região. Na primeira viagem missionária, algo ficou claro desde o início: havia uma fome espiritual urgente. “Na primeira viagem, percebemos o quanto aquelas pessoas tinham sede da Palavra de Deus. Foi impossível sair de lá do mesmo jeito que chegamos”, relembra o Bispo Anderson Dias.
No ano passado, ao assumir a regional, a liderança deu início a um plano estruturado para a expansão do Reino de Deus naquela área. Uma nova viagem missionária foi realizada com o objetivo de conhecer toda a região, identificar as necessidades e fortalecer o trabalho já existente. Uma realidade que impacta desde a chegada. Ao chegar à região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, o cenário encontrado é de extrema vulnerabilidade. Muitas famílias sobrevivem com muito pouco, e as crianças, além da carência material, carregam uma grande necessidade espiritual. “É uma população simples, mas profundamente marcada por dores sociais e espirituais. Quando chegamos, vemos crianças, famílias inteiras, precisando não só de alimento, mas de esperança”, destaca a Bispa Genubia Almeida.
Grande parte da população é indígena e vive em um contexto social frágil, agravado pelo peso espiritual característico de regiões de fronteira. Questões como alcoolismo, uso de drogas, depressão, tentativas de suicídio, separações e abandono familiar são recorrentes. Desenvolver um trabalho missionário em uma região tão distante dos grandes centros é um desafio constante. O acesso é limitado, só é possível chegar por via fluvial ou aérea. Dependendo do trajeto, a viagem pode levar quase um dia de carro, algumas horas de avião (ou até oito dias de barco), seguida por mais horas de barco e trechos de moto.
“A logística é um dos maiores desafios. É uma região muito úmida, chove bastante, há risco de doenças e tudo depende de recursos financeiros e pessoas dispostas a servir”, explica o Bispo Anderson Dias. O clima também impacta diretamente o dia a dia da missão. Em muitos momentos, cultos e células precisam ser cancelados por conta das chuvas ou da falta de transporte, que impede os irmãos de chegarem aos locais de reunião. Ainda assim, o comprometimento dos líderes e missionários permanece inabalável.
Missionários que vivem a missão no dia a dia
À frente do trabalho local em Benjamin Constant estão os missionários Juan Diego e Claudia Gineth, que vivem diariamente os desafios e as alegrias da missão. Com dedicação incansável, eles atuam no cuidado espiritual, no atendimento às comunidades próximas e na consolidação das células, sendo referência de amor, serviço e perseverança na região. “Mesmo com todas as dificuldades, os missionários que estão ali não medem esforços para cuidar das pessoas. É um trabalho feito com amor, entrega e fé”, afirma a Bispa Genubia Almeida.
Atualmente, a cidade de Benjamin Constant conta com uma igreja estruturada e duas células ativas. Além disso, há um trabalho contínuo de atendimento às comunidades vizinhas, levando o Evangelho a lugares onde muitas vezes ele nunca havia chegado.
A missão também avança para além das fronteiras brasileiras. A partir de Benjamin Constant, está sendo desenvolvido um projeto para iniciar uma célula estratégica em Islândia, no Peru, ampliando ainda mais o alcance do Reino de Deus naquela região. “Temos visto famílias restauradas, pessoas que encontraram trabalho, vidas libertas da depressão e irmãos que desistiram do suicídio depois de serem alcançados pelo amor de Deus”, relata o Bispo Anderson Dias.
Além do trabalho espiritual, a igreja tem atuado de forma intensa na assistência social. A entrega de cestas básicas tem sido fundamental para a sobrevivência de muitas famílias. “Existem famílias que, se não fossem assistidas pela igreja, não teriam alimento para sobreviver. A ajuda social tem sido uma ponte poderosa para manifestar o amor de Deus de forma prática”, reforça a Bispa Genubia Almeida.
Ações voltadas para crianças também fazem parte da missão, levando cuidado, atenção e dignidade às novas gerações.
Parceiros de Deus: sustentando a missão onde poucos chegam
O apoio do Parceiros de Deus tem sido essencial para a continuidade do trabalho missionário em Benjamin Constant. É por meio dessa parceria que a missão consegue chegar até a região, manter a igreja ativa, apoiar os missionários e realizar ações sociais como a distribuição de cestas básicas.
“Sem o Parceiros de Deus, seria impossível manter esse trabalho. É através dessa parceria que conseguimos sustentar a igreja, cuidar das pessoas e continuar levando o Reino a lugares tão distantes”, destaca o Bispo Anderson Dias.
O impacto da última viagem missionária, realizada no início de janeiro, foi profundo e transformador. “Após essa viagem, nosso coração voltou queimado. Sentimos de perto o que é missão. Para chegar até lá, enfrentamos dias de deslocamento, mas encontramos pessoas alegres, hospitaleiras e amáveis. Sentimos o amor de Deus e pudemos transmitir esse amor. Isso é o Evangelho, isso é o ‘ide’: não apenas nos grandes centros urbanos, mas na prática, no medo, na escassez e nos perigos. Ainda assim, completos, porque sabemos que estamos levando o Reino.”
No coração da floresta amazônica, entre rios, fronteiras e desafios, o Evangelho continua avançando.









