A presença da célula e o início da implantação de uma igreja Sara Nossa Terra em uma comunidade indígena têm promovido profundas transformações espirituais, sociais e emocionais no local. À frente da missão, os missionários Junior Ribeiro e Andressa Vitória relatam os desafios enfrentados, os impactos já percebidos e os projetos que seguem em andamento para fortalecer a comunidade.
Antes da continuidade da célula no território, a realidade espiritual e social era marcada por práticas culturais pagãs que influenciavam diretamente a vida dos moradores. Segundo os missionários, crenças como feitiçaria, busca por curandeiros e rezadores geravam um desequilíbrio espiritual que se refletia em diversos problemas sociais.
“Percebemos que quase toda a comunidade estava envolvida em práticas espirituais que aprisionavam as pessoas. Isso acarretava consumo de bebidas alcoólicas, drogas ilícitas, separações conjugais, depressão, falta de perspectiva de uma vida melhor e até maldições hereditárias”, explica Junior Ribeiro.
Apesar do cenário desafiador, a chegada da célula e a proposta de implantação da igreja foram bem recebidas pela liderança indígena local. A postura respeitosa e o anúncio de um evangelho sem religiosidade foram decisivos para essa aceitação. “A reação da liderança foi muito positiva. Demonstramos um evangelho fiel à Palavra de Deus, sem religiosidade, deixando claro que nosso objetivo é sarar a comunidade de tudo aquilo que aprisionava as pessoas”, afirma Andressa Vitória.
Além dos desafios espirituais, a construção do templo exigiu grande esforço logístico. A distância da comunidade e a ausência de materiais disponíveis no local tornaram o processo ainda mais complexo. “Além da questão financeira, tivemos muita dificuldade para levar os materiais até a comunidade. Foi necessário organizar parcerias com amigos e pessoas que Deus enviou para que os recursos chegassem e a obra pudesse começar”, relata Junior.
O impacto social também tem sido um dos pilares do trabalho missionário. A entrega de cestas básicas, materiais esportivos e o cuidado com as crianças e famílias têm marcado profundamente a comunidade.
“Nunca esqueço de uma família com oito pessoas, sendo três adultos e cinco crianças, cujo último alimento havia acabado no dia anterior. A cesta básica chegou exatamente no momento da necessidade. Ver a alegria daquela família e das crianças ao receberem os brinquedos foi algo inesquecível”, compartilha Andressa.
Segundo os missionários, a atuação da igreja tem contribuído diretamente para a mudança de mentalidade dos jovens indígenas, fortalecendo a autoestima, a saúde emocional e a esperança em um futuro diferente. “A maior contribuição é a mudança de mente. Por meio das células e das atividades da igreja, os jovens têm acreditado que, em Deus, podem alcançar lugares mais altos e viver uma nova realidade”, destaca Junior.
O trabalho contínuo só tem sido possível graças ao apoio do Parceiros de Deus, que viabiliza não apenas a construção física do templo, mas também o cuidado social com a comunidade. “Nosso trabalho não é apenas espiritual, mas também social. O Parceiros de Deus nos permite ajudar com cestas básicas, roupas, medicamentos, contas de energia e outras necessidades reais da comunidade”, reforça Andressa.
Com a obra avançando, novos projetos já estão sendo implementados, como o Sarando as Comunidades Indígenas, que visa transformar vidas por meio do discipulado, acompanhamento espiritual e apoio social. Ao refletirem sobre a jornada missionária, Junior e Andressa destacam que os momentos mais emocionantes são aqueles em que percebem claramente a ação de Deus. “Ver Deus abrindo portas, movendo os céus e permitindo que os projetos se realizem é algo indescritível. Olhar para trás e ver o crescimento da obra confirma que tudo vem do Senhor. Estar no propósito de Deus é a maior recompensa que existe”, conclui Junior Ribeiro.


